sábado, 6 de setembro de 2014

Lembra-te de teu Demônio

Ignóbeis ignoradas
Dissimuladas na caligem
Ferrugem manta
Ainda age e te espanta

Contratos firmados na escuridão
Transação maligna sem observação
Ainda tão reais quanto teu ser
Todos os mortais a perecer

E se entendo bem essa troca justa
Quando penso bem na mudança brusca
Solo solilóquio tocando seu harmônio
Lembra-te bem de teu demônio

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Peçonhento

Trago o cigarro por aceitação
Pago picarro por própria punição
Na borda da cratera
Na corda coleira da fera

Cortar-me sentir endorfina
Esmagar-me ficar mais fina
Pela crina, minha própria cabeça
Sempre lembrar por mais que esqueça

Não mais, já vivi muito
Me trás mais, toda a vez que surto
Curto com tudo
Explodo e morro

Sou venenoso
Peçonhento
Sou sujo
Traiçoeiro
Sou nuclear
Radioativo

Da escuridão assisti
Minha própria ação assenti
Faz-me necessário em cena
Involuntário, natureza me acena

Mas me seguro
Impuro só para mim
Assim, mãos atadas
Para nunca
Minhas presas afiadas

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A Nascente

Essência que sinto
Luz intrínseca do ser
Avassalador impulso
O desejo de viver e entender
Compreensão
Descomunal inominável uno
Íntima incessante ascensão

Entrego-me
Ofusco escuridão em fulgor
No tártaro do ser de minha própria morada
Longínquo pranto de minha própria criança
Pretérito estígma e ferida
Envolvo-me
Pureza e maestria
Infantil proeficiência
Ressignificar e transcender

Envolve-me e me guia
Esclareça-me sobre ti, óh mãe Gaia
Dádivas de teu útero e pleno amor
Uno contigo
Quebra ilusão da separação
Eu, uma onda de ti

Mutável memória de minha estória
Óbvio óbito de minha pessoa
Livro-me dos grilhões de minha trajetória
Então eu mesmo
Presente tempo e espaço
Agora único ao qual pertenço

Em torno da multidão
Brecha para propalar iluminação
Conduza-me e governo-te à serenidade
Proclama-me teu deus
Coroa-te meu rei
Vivênte onipresente professor
Fere-me afável educador
Talha-me à gravar meu redor

Desfazer-me do todo a colher
Destemido perante o morrer
Outrora ventura passada fortuna
Sublimar a fonte ao estado primal
Paz eu no celeste e infernal
Minha raíz e a própria matriz
Desimpedido natural amor incondicional
Meu irmão, o todo e à mim
Entrelaçamos todos
Em unissono a dizer
"Somos apenas o ser"


A Cobra Venenosa

Cobra-te estar certo
Do deserto o oasis
Fazes luz da escuridão

Luna

Circundam meu senso
Elevam-me ascenso
Leve pluma o que sou
Antes que suma o que restou

Se sou eu a te acompanhar
O que é meu a resguardar
Despertar sob um banho de lua
Uivo na presença tua

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sorrio

7 da manhã
e levantei
pelo lado errado

beber para misturá-la
entorpecer meus sentimentos
relento, um doce esquecer
por um momento

amassá-la em pó
Só
a superfície de absorção
de minha pura adoração

fumaça
me faça
o mais rápido possível
o meu árido risível

nublado e me clamo profano
escuridão e desconhecido oceano
Sorrio

Poseidon

Drifting, my son
Behold thy paradise
Disguised unstable surface

Faith, holds your back
Fulfill your lack
To feel it back

Slack
When blackened sky
Don't hold it tight
All you call "mine!"

Sink
Going down
Deep
Falling down
"I'm dying!"
So let it go
Let it go
Just let it go

Farewell, my son
Dive into the waves
Stories and tales

Live well, my friend
Give life to this illusion
When you believe
When it's your time to believe